Cosme e Damião
Cantinho de

Cosme e Damião

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O QUE SANTO ANTÔNIO TEM A VER COM EXU?

O sincretismo religioso, que pode ser entendido de maneira mais simplista como sendo a “combinação” de doutrinas religiosas diferentes e a reinterpretação dos seus elementos, é um fenômeno complexo.


Como e porque um Orixá veio a ser relacionado com um determinado santo católico é algo bastante estudado, mas ainda não totalmente explicado. Sabe-se que a associação, entre outros fatores, se dava pelas características do santo.


Esse processo associativo ocorreu ao mesmo tempo em vários lugares. Por isso, por vezes, o mesmo Orixá é representado por mais de um santo a depender do lugar. Em Cuba, a imagem de Santa Bárbara é associada a Xangô, enquanto que a de São Pedro, a Ogum. Mas não é preciso sair do Brasil para encontrarmos diferenças: na Bahia São Jorge representa Oxoce e no Rio, Ogum; e enquanto os baianos associam Ogum a Santo Antônio, o povo de santo carioca tem em Santo Antônio a representação de Exu, o ORIXÁ.


Exu ganhou a imagem do frade franciscano que carrega o menino Jesus em seus braços talvez pelo simples fato de ter sido um dos santos mais populares no Brasil colonial e ter em suas festas as fogueiras – o fogo é também associado a Exu – ou porque era evocado para se achar as coisas perdidas, assim como Exu a quem era, geralmente, imputada a “culpa” quando algo sumia. E sem a ajuda dele, o que sumiu, dificilmente, seria encontrado! Ou porque Antônio era casamenteiro e falava aos pobres, um santo do povo que, assim como Exu, ajudava a arrumar casamento e fala a todos.


Santo Antônio era tão popular, que era evocado até pelos senhores de engenho e feitores para ajudá-los a recapturar os escravos fugidos (afinal, ele não ajudava a encontrar as “coisas” perdidas!?). E talvez isso também tenha ajudado no processo de sincretismo, já que Exu, na crença iorubá é um Orixá dúbio, capaz de atos de bondade e também atos – na visão cristã ocidental – nem tão nobres assim. Seja como for, para os negros do Rio de Janeiro dos tempos da escravidão, Santo Antônio virou Exu.


Só que Exu já havia também sido “confundido” pelos brancos católicos com o diabo cristão. Com direito a rabo, cascos, chifres e tridente! O que o transformou em um verdadeiro tabu para a sociedade de então.


Talvez por ter se tornado esse tabu, por “afrontar” e assustar a sociedade com seu jeito, de forma geral, o ORIXÁ Exu não foi parte do quinhão que a Umbanda herdou do Candomblé. Entretanto, a associação entre Exu e Santo Antônio ficou para nós com referência às ENTIDADES que se apresentam em nossos Terreiros sob o nome de Exus.


Assim, apesar dos Terreiros umbandistas, em geral, não cultuarem o ORIXÁ Exu em si, praticamente todos contam com os GUIAS Exus e sua contraparte feminina: as Pombagiras em suas linhas de trabalho, garantindo a presença de Santo Antônio entre as imagens e também nos pontos cantados durante os trabalhos.


E é por isso que saudamos Santo Antônio na companhia de nossos Compadres e Comadres, trabalhadores incansáveis da caridade.


Salve, Santo Antônio!


Salve, todo povo trabalhador!


Saravá, todo Exu e toda Pombagira!


 

"É viva a Palavra quando são as obras que falam." (Santo Antônio de Lisboa)