Cosme e Damião
Cantinho de

Cosme e Damião

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O NATAL, JESUS E A UMBANDA

 

Apesar da maioria dos cristãos comemorar o Natal no dia 25 de dezembro, há muitos motivos que levam a crer que essa data não seja a verdadeira data do nascimento de Jesus, mas sim uma “convenção” da igreja católica, que escolheu esse dia por motivos simbólicos.


Uma das hipóteses mais aceitas sugere que, lá pelo século 4, a igreja escolheu essa data como a do dia do nascimento de Cristo com a intenção de “sobrepor” um antigo - e muito popular - festival pagão em louvor ao “Sol Invicto”, que ocorria mais ou menos na mesma época do ano. A festa comemorava o solstício de inverno (dia mais curto do ano), que, no hemisfério Norte, normalmente ocorre por volta do dia 22 de dezembro (e aqui no hemisfério sul, por volta de 21 de julho).

Em verdade, essa época do ano sempre foi simbolicamente associada a nascimento e renascimento. Vários povos antigos faziam suas próprias homenagens ao deus Sol nesse período. Assim, de forma a não entrar em conflito com essas tradições milenares, a Igreja decidiu fixar a celebração do nascimento de Jesus na mesma época do ano.


Ou seja, poderíamos dizer que a igreja católica se valeu do sincretismo – a fusão de diferentes cultos, com reinterpretação de seus elementos – relacionando Jesus ao Sol Invicto, de forma a propagar mais facilmente a crença cristã. A estratégia funcionou muito bem e assim a data se consagrou como a do dia do nascimento do Cristo.


A fé cristã aportou em terras brasileiras com os portugueses, que comemoravam o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro, e entendiam-no – e explicavam-no! – como a segunda pessoa da santíssima trindade da fé católica, hierarquicamente abaixo apenas de Deus, acima de todos os demais santos; associado ao sol, à luz, fonte de vida na Terra; chamado príncipe da paz e da mansidão.

Algum tempo depois, na época da escravidão, quando os negros foram arrastados para nossas terras, trouxeram em sua bagagem cultural toda sua religiosidade, a qual teve de ser “ajustada” à nova cultura na qual foram inseridos. Os Orixás ganharam assim novas feições de acordo com as similaridades que tinham com os santos católicos. E as características de Oxalá o levaram a ser associado a Jesus.


E pelo sincretismo, Cristo chegou aos terreiros de Candomblé e de lá para os da Umbanda, onde sua imagem também representa as forças de Oxalá. Ou seja, como para um católico uma pomba branca representa o Espirito Santo, para nós Umbandistas, a figura do Cristo representa Oxalá.

Na nossa Umbanda, assim como no Espiritismo de Kardec, entendemos Jesus, o homem que encarnou nesse mundo, como um irmão mais velho que nos serve de referência. Para nós, ele é um espírito muito elevado que aceitou a missão de vir a Terra para nos dar o exemplo do amor divino; nos mostrar que, apesar das limitações da carne, é possível sim vivermos de forma a nos elevarmos espiritualmente; e nos apoiar nessa caminhada de volta a Zâmbi. É ainda, para nós, o “Médium Supremo”, aquele que foi capaz de, usando sua mediunidade, servir de canal direto entre as esferas mais elevadas do mundo espiritual e o nosso mundo.

Assim, temos, minimamente, dois motivos para também festejar o Natal: 

1) como a data – convencionada! – do encarne do nosso irmão maior, nosso exemplo; e 


2) pelo sincretismo de Jesus com Oxalá.


Com isso, aproveitemos as boas vibrações que envolvem o nosso globo nessa época do ano, a egrégora de paz que se forma, para agradecermos a oportunidade de estarmos encarnados na Terra, nos aprimorando e evoluindo; e também nos reenergizar para começarmos bem o novo ciclo que se inicia.


Salve Nosso Senhor, Jesus Cristo!


Salve, Oxalá!